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O Estado da Nação

Aguardei uns dias antes de opinar sobre a crise política (que Cavaco jurou que nunca aconteceria com a sua reeleição)  na esperança que a poeira da politiquice pousasse e o bom senso imperasse de forma a possibilitar uma correcta leitura dos acontecimentos. Mas enganei-me. A queda do governo não foi suficiente para acalmar os ódios e a sede de poder de alguns.  E prova disso foi a grande demonstração de “força” na falta de pudor e vergonha de toda a oposição (de Portas Jerónimo),  ao fazer aprovar a suspensão da avaliação dos professores decorridos dois terços do ano lectivo. Mário Nogueira, esse grande comunista e líder da Fenprof estava nas galerias do plenário e rejubilou.  A caça ao voto dos professores estava iniciada.

 Nessa mesma noite o nosso provável futuro primeiro-ministro deu uma grande entrevista onde teve oportunidade de nos esclarecer que não aprovou o PEC apresentado pelo Governo porque quer fazer um igual mas sendo ele a mandar. A grande novidade é que mudou de opinião sobre o aumento do IVA,  deixou de ser injusto para passar a provável opção. Abro aqui um parêntesis para um pequeno exercício de memória:

“Os impostos indirectos tratam todos pela mesma medida, tanto pobres como ricos, razão porque são, nesse aspecto, mais injustos. É essa, aliás, a razão porque eu nunca concordei em taxar cada vez mais os impostos indirectos, nomeadamente o IVA. Ele vale 20% para quem tem muito como para quem tem pouco”.

 Pedro Passos Coelho, no livro “Mudar”, editado em 2010.

Num contexto de crise económica sem precedentes e com um governo reduzido a duas pessoas, Sócrates e Teixeira dos Santos, continuamos a ter uma oposição ridícula.

Tanto tempo passado com tantas contradições no seu curriculum (Partido Popular no assalto ao Poder, CDS de novo para manter o poder, contra Maastricht, contra a Moeda única,  expulsos do Partido Popular Europeu, ódio a Cavaco, amor a Cavaco, podia estar aqui o dia a todo a enunciá-las) como é possível Paulo Portas ainda ser opção e merecer o voto de alguém? O Louçã perdeu as causas. O aborto, o casamento gay, as drogas leves são temas “resolvidos” na sociedade portuguesa durante a governação de Sócrates que no seu entender governava à direita. O Jerónimo… é comunista, está tudo dito.

O Presidente da República assistiu a todo este espectáculo impávido e sereno. Diria mesmo como se não existisse. Contrariando todos os seus argumentos de campanha que apontavam no sentido da estabilidade. A boa imprensa de que Cavaco goza, não tem paralelo com mais nenhum politico deste país.  Os tristes casos das fantasiosas escutas na presidência, as acções da SLN,  o Dias Loureiro,  comprovam-no. Ai se fosse o engenheiro, era tudo menos santo.

Os quase seis anos de consulado Sócrates tiveram de tudo a seu tempo. Dois primeiros anos óptimos como não se via em Portugal desde o Bloco Central (Mário Soares, Mota Pinto e Hernâni Lopes). Conseguindo dois dos mais baixos défices orçamentais de sempre da democracia portuguesa: 2,8% em 2007 e 2,9% em 2008. Reformas na justiça, saúde, ensino e segurança social. Umas conseguidas outras tentadas. A da justiça com alterações nas comparticipações de remuneração dos juízes e nas férias judicias pagou com a paz que nunca teve vendo-se envolvido/perseguido até hoje em inúmeros casos sem que nada se provasse. A da saúde e a do ensino seguiam no ritmo certo, adequando as despesas aos recursos e necessidades dos sectores. Mas o Mário Nogueira ao colocar 100 mil professores na rua e o Jornal Nacional da TVI com as reportagens de grávidas a nascer em ambulâncias ou em maternidades espanholas obrigaram Sócrates a preocupar-se mais com a sua reeleição do que com o país, demitindo dois dos seu melhores ministros. A partir daí foi sempre em perda ao ritmo da crise Mundial apesar do seu notável empenho.

Uma última palavra para a “geração à rasca” que colocou 300 mil pessoas nas ruas a reivindicar os seus direitos. Sempre os direitos e nunca as obrigações. Faltou-lhes o discurso da exigência do mérito em detrimento da cunha. A exigência de trabalho à frente do emprego vitalício.

Dito isto, tenho apenas uma certeza, o futuro não será diferente, apenas pior.

Miguel Leal

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